Às vésperas da Bahia ser uma das sedes da Copa do Mundo de Futebol Feminino de 2027 no Brasil, o futebol feminino amador e de base no estado já deu a largada nesta segunda-feira (9), com a quarta edição da Copa Loreta Valadares de Futebol Feminino 2026. O lançamento aconteceu no Estádio de Pituaçu, local da abertura do torneio no dia 21 de março e sede da Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb), autarquia da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre), que promove o evento.
A Copa Loreta Valadares é para mostrar que futebol é coisa de mulher e, antes de tudo, sonho – pelo menos esse é o caso da ponta do time Império Boca do Rio, Suedy Magalhães, de 13 anos. A jovem atleta vai competir na categoria sub-15 e já está ansiosa para viver esse momento. “É o meu sonho. O meu sonho sempre foi participar da Copa Loreta. Quando soube que o professor ia me levar para Copa fiquei meio sem acreditar. Estou ansiosa pra começar”, conta.
De olho em fortalecer o futebol feminino no estado e potencializar histórias como a de Suedy, a competição conta com representantes de Salvador, Região Metropolitana e Recôncavo Baiano. Os jogos da 4ª edição da Copa Loreta Valadares, iniciada em 2022, vão acontecer nos estádios da capital (Vila Canária e Barradão) e nos municípios de Governador Mangabeira e São Sebastião do Passé. As partidas serão disputadas entre 21 de março e 24 de maio, apenas nos fins de semana.
A coordenadora do núcleo Mais Mulheres no Esporte da Sudesb, Juliana Camões, explica que organizar a Loreta é um desafio, mas que o impacto do torneio para meninas e mulheres é ainda maior. ”Com a Loreta, percebemos as dificuldades que existem para fazer acontecer um campeonato relacionado às mulheres. A importância dessa continuidade da Loreta é gigante. Ela representa muito a partir do momento que consegue alcançar mulheres e meninas e representar um símbolo de resistência e combate ao machismo, principalmente no âmbito do futebol”, afirma.
O titular da Setre, Augusto Vasconcelos, pontua a dimensão do torneio promovido pelo Governo do Estado, com o apoio da Federação Bahiana de Futebol (FBF). “Teremos mais de 800 competidoras participando. Se somarmos com comissões técnicas e arbitragem, estamos falando de mais de mil mulheres envolvidas nesse processo de valorização do futebol feminino aqui no estado da Bahia. Nós vamos sediar no próximo ano a Copa do Mundo e estamos nos preparando tanto no ponto de vista da organização e da logística, mas também para impulsionar essa modalidade que tem crescido, mas que ainda precisa de muito fomento.”
Lançamento da Copa Loreta
É ano de Copa do Mundo, mas também é ano de Copa Loreta Valadares. Ao todo, elas vão tomar os campos da Bahia com as 40 equipes divididas entre quatro times na categoria sub-15, oito clubes na sub-17 e 28 competidores na disputa na classe adulta. O lançamento da competição contou com representantes das equipes, autoridades do poder público, imprensa, convidados do âmbito esportivo e de atletas veteranas pioneiras na Bahia, como Aline Lima, Iara Pereira e Rosane Oliveira.
Presente no evento e membro da comissão técnica do time Abrantes, Elizia Guimarães fala que seu clube vai disputar na categoria adulta da Copa Loreta e que a competição é um momento muito simbólico para essas mulheres. “Não é só futebol, não é só elevar o feminino, mas sim trabalhar com sonhos. Sonhos que morreram para muitas mulheres do meu time que são adultas e hoje veem a oportunidade de participar da Loreta para tornar o sonho realidade”, comenta.
Neste ano, a Copa Loreta Valadares vai contar como classificação para a Copa Rainha Marta Nordeste 2026, que teve sua primeira edição no ano passado em Maceió, capital alagoana, e, neste ano, acontecerá em Aracaju, Sergipe, com previsão para o mês de novembro. Por conta dessa dimensão da Loreta, Aline Lima, parte do comitê organizador da Copa do Mundo de Futebol Feminino da FIFA e da comissão técnica da Copa Loreta, ressalta a importância do evento.
“Acho um passo importantíssimo pro fortalecimento do futebol feminino na Bahia. A Loreta tem se consolidado como principal competição de desenvolvimento da modalidade no estado, alcançando cada vez mais meninas e mulheres e dando visibilidade”, comenta. A competição ganhou o nome da feminista e ativista política Loreta Valadares, que lutou contra a ditadura militar, sendo, inclusive, exilada. Loreta foi professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), tendo falecido no ano de 2004.
Fonte: Ascom/Sudesb
Governo do Estado da Bahia