Aparelho de raio-x quebrado trava liberações e corpos precisam ser levados para Serrinha a 60 km de distância
A dor da perda tem sido acompanhada por uma dose extra de indignação para as famílias que dependem do DPT (Departamento de Polícia Técnica) de Feira de Santana, a 110 km de Salvador. Principal unidade da Macro Regional do Recôncavo, o órgão está há sete meses com o aparelho de raio-x quebrado. O defeito não é apenas um detalhe técnico: sem o equipamento, a liberação de corpos — especialmente em casos de mortes violentas — virou um teste de paciência e sofrimento.
O aparelho com alta definição custaria em torno de R$ 1,15 milhão. O Estado gasta isso a cada 2 dias com publicidade.
Sem o raio-x em Feira, o procedimento padrão passou a ser o deslocamento. Corpos que necessitam de exames complementares, como a localização de projéteis ou fragmentos de faca, precisam ser transportados até o município de Serrinha. O resultado é um efeito dominó de atrasos que atinge em cheio o planejamento de velórios e sepultamentos.
“Pagamos nossos impostos e temos que passar por isso. Às vezes, a gente culpa até a funerária, mas a verdade é essa burocracia. Depois de perder uma pessoa, ainda temos que enfrentar esse desrespeito”, desabafou um familiar que preferiu não se identificar.
O raio-x é peça-chave na medicina legal. Ele permite que o legista localize balas e metais sem a necessidade de incisões exploratórias, preservando a integridade do cadáver. Além disso, é fundamental para a identificação humana, permitindo comparar arcadas dentárias ou próteses com registros de quando a vítima ainda estava viva — um método tão preciso quanto a impressão digital.
A reportagem entrou em contato com a assessoria de comunicação do DPT na última sexta-feira, 23/1. Até o fechamento desta matéria, no entanto, não houve qualquer retorno sobre a previsão de conserto do aparelho ou sobre medidas paliativas para reduzir a espera das famílias.
Para quem aguarda na porta do órgão, o sentimento é de que a dignidade humana está ficando em segundo plano diante da falta de manutenção básica.
Fonte: Central de Polícia